Onde tudo começou

Três membros de graduação do GPAR, vinculados ao Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal, participaram em 2014 do programa Ciências Sem Fronteiras (CSF) nos Estados Unidos, com apoio e fomento da CAPES. Ana Beatriz, Thiago Lima e Nadson Tomé desenvolveram atividades acadêmicas em universidades americanas. Se destacando, estimularam uma parceria que culminou na doação de um robô da NASA ao laboratório GPAR. 

Em 2015, como parte do programa, aplicaram para fazer estágio em vários programas pelos Estados Unidos. Mas apenas um deles, os chamou mais a atenção: o programa de estágio em nanossatélites da Capitol Technology University, criado com a participação direta de cientistas e engenheiros que trabalham (ou trabalharam) por longos anos na NASA, como o engenheiro MSc. Marco Figueiredo, Dr. Patrick Stakem e Dr. Alexander “Sandy” Antunes. 

Compartilharam entre si a existência do programa de estágio de pesquisa que fora recentemente lançado pela Capitol Technology University, aplicaram e foram selecionados. 

O programa tinha o objetivo de inserir alunos brasileiros de excelência (com os melhores rendimentos acadêmicos) no estudo e desenvolvimento de sistemas de nanossatélites — cubesat — com a possibilidade de conhecerem, trabalharem e serem mentorados por cientistas e engenheiros da NASA. Aplicaram e foram selecionados para participarem do programa que começaria em meados de maio de 2015.

O programa intitulado de Capitol Technology University Cubesat Bootcamp começou em meados de maio de 2015. Ao chegarem lá, se destacaram. Participaram dos cursos do programa, das várias práticas e dos desafios propostos. Os três membros do GPAR apresentaram as três melhores médias do grupo de 18 estudantes de diversas universidades brasileiras que participaram. 

Faltando um pouco mais de um mês para o fim do programa, os engenheiros eméritos da NASA, Michael Comberiate e Patrick Stakem, com o ex-engenheiro da NASA, Marco Figueiredo, mentores do projeto L.A.R.G.E (LiDAR Assisted Robotic Group Exploration), trouxeram um grande desafio aos alunos: fazer a engenharia reversa para a documentação do robô Nanook.

Antes de contar sobre o trabalho dos alunos da UFC, é interessante ressaltar a importância do desafio. O Nanook é um robô que faz parte de um grupo de robôs exploradores do projeto L.A.R.G.E, iniciado pela NASA em 2006. Esse projeto foi desenvolvido durante 2 programas de estágio da NASA chamado “NASA Goddard Engineering Boot Camp Program” com estudantes internacionais em 2011 e 2012 do Goddad Space Flight Center, incluindo a participação de estudantes brasileiros. O objetivo do projeto LARGE era montar um time de robôs autônomos conectados para serem usados em mapeamento tridimensional de terrenos, imagens de alta resolução e coleta de amostras em terrenos inexplorados. Mais informações sobre o projeto podem ser encontradas através do link. Link 1 e Link 2

 Apesar de ter sido um projeto com um desenvolvimento complexo, ao longo de todo seu tempo de desenvolvimento, o projeto não fora documentado, por isso, toda parte do controle do sistema tinha sido perdida com a dispersão dos membros do projeto após a conclusão dos dois programas. Tendo isso em vista,  Ana Beatriz, Thiago Lima e Nadson Tomé tiveram que entender o sistema e colocá-lo para funcionar com suas funcionalidades, sem qualquer instrução de manual de uso e procedimento operacional. “NASA Mike”, como Michael Comberiate é chamado, pediu, pelo pouco tempo que os estagiários tinham, que fosse feita uma documentação simples do sistema, e que se fosse possível, aprendessem e o ensinassem como operar o robô. Estabeleceu um prazo de duas semanas para retornar e ver o trabalho desenvolvido pela equipe. 

Ao final da segunda semana, NASA Mike retornou. Se impressionou com o resultado dos trabalhos realizados pela equipe, que não só desenvolveu um relatório completo de Hardware  e Software, indicando caminhos de melhorias, como também havia escrito um manual de operação do sistema de mapeamento tridimensional do Nanook.

NASA Mike ficou tão surpreso e feliz que contou aos alunos da possibilidade continuarem com o projeto no Brasil. E, assim, aconteceu. Ao retornarem pro Brasil, os alunos conversaram com o professor Dr. Fabrício Nogueira, coordenador do GPAR, para que pudesse dar entrada nos trâmites necessários para o transporte do robô até a UFC. Uma palestra intitulada “EXPEDITIONS OF A NASA ENGINEER” foi organizada para que o Mike pudesse aproveitar sua passagem pela universidade e contar um pouco sobre suas histórias e experiências em expedições e trabalhos como engenheiro da NASA.

A palestra foi um sucesso! O maior auditório do Centro de Tecnologia, com capacidade para 217 pessoas lotou. Aconteceu ainda de muitos espectadores ficarem do lado de fora do auditório e outros tantos tiveram que sentar no chão ou ficar de pé no corredor do auditório para assistir a palestra do engenheiro Michael Comberiate.